Rodrigo Piccinato

O Paradoxo do Lucro: Por que tentar ganhar dinheiro no primeiro anúncio pode falir o seu negócio

O Paradoxo do Lucro Por que tentar ganhar dinheiro no primeiro anúncio pode falir o seu negócio
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Rodrigo Piccinato

Se eu te dissesse que o segredo para escalar sua empresa para múltiplos 7 dígitos é ficar feliz com lucro zero na sua campanha principal, você me chamaria de louco?

A maioria dos empresários e gestores iniciantes é viciada em ROAS (Retorno sobre Investimento em Anúncios). Eles abrem o gerenciador, veem um ROAS de 4.0 (investiu 1, voltou 4) e comemoram. Se o ROAS cai para 1.2, eles entram em pânico e pausam a campanha.

E é exatamente por isso que eles continuam pequenos.

Em 2025, com o CPM (Custo por Mil Impressões) cada vez mais caro e a concorrência brutal, a regra do jogo mudou: “Quem pode pagar mais para adquirir um cliente, vence o leilão.”

Se você precisa ter lucro imediato na primeira venda, você não consegue pagar caro pelo clique. Seu concorrente, que entende o jogo do LTV (Lifetime Value), pode pagar o dobro que você, roubar seu cliente, empatar no começo e ficar rico no longo prazo.

Neste artigo, vou te apresentar a Estratégia do Breakeven (Funil Auto-Liquidável) e como ela é a chave para a escala infinita.

A Matemática do “Quem Paga Mais, Leva”

O Facebook e o Google são leilões. Quem dá o maior lance, aparece.

Imagine dois concorrentes vendendo um curso de inglês:

  • Empresário A (O Amador): Vende um curso de R$ 500. Ele quer ter 50% de lucro líquido logo de cara. Então, ele só aceita gastar até R$ 250 para vender (CPA Máximo).
  • Empresário B (O Estrategista): Vende o mesmo curso de R$ 500. Mas ele sabe que, estatisticamente, 30% dos alunos renovam por mais um ano (R$ 500) e 10% compram a mentoria de conversação (R$ 2.000). Ele aceita gastar R$ 500 para vender o curso de R$ 500. Ele empata (Zero lucro agora).

Resultado: O Empresário B pode dar lances o dobro do valor do Empresário A. Ele domina 80% do tráfego. O Empresário A fica com as sobras e reclama que “o tráfego está caro”.

No final de 6 meses, o Empresário B lucrou milhões com as vendas de backend (renovação e mentoria), enquanto o A faliu tentando manter o ROAS alto.

O Funil Auto-Liquidável (SLO – Self Liquidating Offer)

O objetivo do tráfego pago na “frente” (Front-end) não deve ser lucro. Deve ser aquisição de clientes a custo zero.

Se você investe R$ 10.000 em tráfego e vende R$ 10.000 em produtos de entrada, você acabou de conseguir milhares de clientes de graça.

O lucro real vem na segunda venda, no e-mail marketing, no remarketing e na recorrência, onde você não paga mais custo de aquisição (CAC).

Tabela: Mentalidade de Curto Prazo vs. Escala

CritérioMentalidade ROAS (Limitada)Mentalidade LTV / Breakeven (Escala)
Foco PrincipalLucro na 1ª transação.Quantidade de Novos Compradores.
Meta de CampanhaROAS 3x, 4x, 5x.ROAS 1x (Empatar) ou até 0.8x (Prejuízo calculado).
Teto de GastosLimitado pelo lucro imediato.Quase infinito (limitado pelo fluxo de caixa).
Relação com o Cliente“Compre e tchau.”“Bem-vindo ao ecossistema (Upsell/Cross-sell).”
ResiliênciaQuebra se o CPM subir.Sobrevive a qualquer aumento de custo de mídia.

O Exemplo do McDonald’s (A Lógica do Hambúrguer)

Você acha que o McDonald’s lucra vendendo um hambúrguer por R$ 10,00?

Dificilmente. Entre custo da carne, funcionário, aluguel e marketing, o lucro do hambúrguer é mínimo ou inexistente. O hambúrguer é o Produto de Entrada (o Loss Leader).

O lucro do McDonald’s está na batata frita e no refrigerante.

  • O custo da batata e do xarope de refrigerante é centavos.
  • Eles vendem por reais. A margem é gigantesca.

Quando o atendente pergunta “Batata grande por mais R$ 2,00?” (Upsell), é ali que a mágica do lucro acontece. Se eles dependessem só do hambúrguer, o negócio não parava em pé.

No digital, seu produto principal é o hambúrguer. Seu upsell, order bump e recorrência são a batata frita.

Como Aplicar Isso no Seu Negócio (3 Passos)

Você não precisa ser o McDonald’s para usar isso.

  1. Crie um Produto de Entrada (Tripwire):Venda algo barato e irresistível (ex: um ebook, uma consultoria rápida, um produto de teste) com o único objetivo de transformar desconhecidos em clientes. Use todo o dinheiro da venda para reinvestir em tráfego.
  2. Otimize o “Order Bump” (Oferta de Caixa):No checkout, ofereça algo complementar com um clique.”Você está comprando este tênis. Quer levar 3 pares de meias com 20% de desconto?”30% das pessoas vão aceitar. Esse dinheiro extra é lucro puro que cobre seu custo de tráfego.
  3. Tenha uma Esteira de Produtos (Backend):Se você só tem um produto, você está vulnerável. Assim que o cliente comprar o primeiro, tenha uma sequência de e-mails automatizada oferecendo o próximo passo lógico (produto mais caro ou recorrente).

Pare de ser “Vendedor”, Seja um Negócio

Gestor de tráfego que só olha ROAS é commodity. Gestor que olha LTV e Lucro Líquido é sócio estratégico.

A pergunta que define o sucesso em 2025 não é “Qual foi o ROAS de hoje?”, mas sim: “Quanto podemos nos dar ao luxo de pagar por um cliente hoje para lucrar com ele nos próximos 6 meses?”

Se você mudar essa chave mental, o preço do tráfego deixa de ser um problema e passa a ser uma barreira de entrada que protege você dos concorrentes amadores.

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Rodrigo Piccinato

Especialista em Tráfego Pago e Marketing Digital, baseado em Osasco, SP. Minha missão é transformar cliques em conquistas através de anúncios online no Google Ads e Meta Ads.

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