Rodrigo Piccinato

O “Don Juan” do Marketing: Por que tentar vender no primeiro encontro está deixando sua empresa “solteira” (e sem clientes)

O Don Juan do Marketing Por que tentar vender no primeiro encontro está deixando sua empresa solteira (e sem clientes)
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Rodrigo Piccinato

Imagine a cena: Você está em um barzinho, tranquilo, curtindo a noite. De repente, uma pessoa que você nunca viu na vida se aproxima, ajoelha na sua frente, tira uma aliança do bolso e grita:

“Quer casar comigo? Eu sou ótimo, tenho casa própria e lavo a louça!”

Qual seria sua reação?

  1. Sair correndo.
  2. Chamar a segurança.
  3. Achar que é uma pegadinha.

Ninguém em sã consciência diz “sim” para um pedido de casamento feito por um estranho em 30 segundos.

No entanto, é exatamente isso que 90% das empresas fazem na internet todos os dias.

Elas aparecem na timeline de alguém que nunca ouviu falar delas (o estranho no bar) e jogam um anúncio gigante de “COMPRE AGORA” (o pedido de casamento).

Resultado? O cliente foge. A empresa fica “solteira”. E o dono culpa o aplicativo de namoro (o Facebook/Google).

Neste artigo, vamos deixar os códigos de lado e falar sobre Comportamento Humano. Vou te mostrar por que o seu marketing precisa parar de ser o “desesperado do bar” e começar a ser o parceiro interessante que conquista a confiança antes de pedir o cartão de crédito.

A Regra dos 7 Encontros

Existe um conceito antigo no marketing, mas que nunca foi tão real: um cliente precisa ter, em média, 7 pontos de contato com uma marca antes de se sentir seguro para comprar.

Pense na sua última compra importante. Você viu o anúncio, ignorou. Viu de novo, clicou. Saiu. Viu um vídeo de alguém usando. Pesquisou no Google. Leu um comentário. Entrou no site. E só depois de dias (ou semanas) comprou.

Isso é um namoro.

O tráfego pago não serve para forçar a venda. Ele serve para acelerar os encontros.

Se você tenta pular etapas e ir direto para os “finalmentes” (a venda) com um público frio, você é visto como invasivo, chato e desesperado. E ninguém compra de gente desesperada.

O Ciclo do Relacionamento Digital

Para criar consciência e desejo, você precisa trocar a mentalidade de “Vendedor” para a de “Conquistador”. Veja como funciona a anatomia de um marketing que respeita o tempo do cliente:

1. O Olhar (A Atração)

No mundo real, é quando você troca olhares. No digital, é um conteúdo que ajuda ou entretém.

Não fale do seu produto. Fale do problema do cliente.

  • Exemplo: Em vez de “Compre meu remédio de dor nas costas”, poste “3 alongamentos para fazer sentado e aliviar a dor agora”.
  • Objetivo: Fazer a pessoa parar e pensar: “Hum, essa marca me entende.”

2. O Pedido de Telefone (A Captura)

A conversa fluiu. Você não vai embora sem garantir o contato.

No digital, você oferece algo de valor (um e-book, um cupom, uma aula grátis) em troca do WhatsApp ou E-mail.

Agora você não depende mais do acaso. Você tem o contato direto.

3. O Jantar (A Nutrição)

Agora que você tem o telefone, você não manda mensagem dizendo “Vamos casar?”. Você convida para jantar.

Você manda e-mails com histórias, mostra bastidores, envia depoimentos de outros “parceiros” felizes (clientes). Você constrói autoridade e confiança.

4. O Pedido de Casamento (A Venda)

Só depois que a pessoa já te conhece, gosta do seu papo e confia em você, você faz a oferta irresistível.

Nesse momento, o “Sim” é quase automático. Não há fricção.

Tabela: O “Cara Chato” vs. O “Parceiro Ideal”

Veja em qual coluna sua empresa está hoje:

ComportamentoO “Desesperado” (Marketing Ruim)O “Parceiro Ideal” (Marketing Estratégico)
Primeiro Contato“Eu sou o melhor, compre de mim!” (Egoísta).“Vi que você tem esse problema. Posso ajudar?” (Empático).
FrequênciaAparece sumido e só chama para pedir dinheiro.Aparece sempre com novidades e conteúdo útil.
Reação ao “Não”Insiste a mesma mensagem 10x até irritar.Entende o momento, recua e tenta uma abordagem diferente depois.
FocoNa transação imediata (Uma noite).No relacionamento de longo prazo (Vida toda).
Sensação do Cliente“Essa empresa quer meu dinheiro.”“Essa empresa quer meu sucesso.”

Por que a “Friendzone” é lucrativa no Marketing

Muita gente tem medo de entregar muito conteúdo gratuito e cair na “Friendzone” do cliente (ser visto apenas como amigo e não vender).

A verdade é o oposto. Na internet, a venda é consequência da Reciprocidade.

O cérebro humano é programado para retribuir favores. Se você me ensinou a arrumar minha postura de graça, quando eu precisar de um tratamento pago, eu me sinto moralmente obrigado a procurar você, e não o concorrente que nunca me deu nada.

Gerar valor antes de extrair valor não é caridade. É a estratégia comercial mais inteligente que existe.

Não seja um algoritmo, seja humano

Os algoritmos mudam, a tecnologia muda, mas a biologia humana é a mesma há milhares de anos.

Nós compramos de quem conhecemos, gostamos e confiamos.

Se suas campanhas não estão vendendo, pare de culpar o “custo do clique”. Olhe para a sua abordagem.

Você está construindo um relacionamento ou está apenas gritando “CASAMENTO!” para desconhecidos na rua?

O tráfego pago traz a pessoa até a mesa do bar. O que você diz depois disso é o que define se você vai dormir sozinho ou acompanhado de um novo contrato.

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Rodrigo Piccinato

Especialista em Tráfego Pago e Marketing Digital, baseado em Osasco, SP. Minha missão é transformar cliques em conquistas através de anúncios online no Google Ads e Meta Ads.

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